15/04/2014

O tão falado Sistema de Saúde Canadense 2

Navegando pelo sistema de Ontário


Como eu comecei no post anterior, vou falar sobre como entender e navegar pelo sistema de saúde pública de Ontário. 
Sobre o que está coberto ou não e o sistema de saúde privado eu falei naquele post.

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Para ser atendido no sistema de saúde é preciso primeiramente tirar o Ontario Health Card. Para isso é necessário ser residente na província por três meses consecutivos. Após o período, você deve se dirigir a um Service Ontario Centre que é o centro de serviços responsável pela emissão não só do cartão de saúde, como da carteira de identidade, motorista, licenças várias e afins. Há uma lista de documentos e como tirar o cartão aqui. Você pode usar um localizador para achar um desses centros mais próximo a você. 




Uma vez com esse cartão na mão, você pode ir diretamente em qualquer walk in clinic, ou clinicas de pronto-atendimento (aqui uma lista das melhores de Toronto, ser atendido por uma ambulância ou ver seu médico de família.

Antes de conseguir o cartão, é importante ter um seguro de viagem que te cubra pelos três meses em que você está descoberto. Há uma lei que diz que estamos todos cobertos, mesmo quem está ilegal, mas como falei no outro post, há controvérsias.

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Médico de família e especialistas

Com a excessão das especialidades sem cobertura e para as quais você pode se dirigir directamente, no Canadá qualquer especialista que seja necessário ver deve ser indicado, primeiramente, pelo seu médico de família (sempre bom lembrar: qualquer família). É um sistema muito diferente dos sistemas em outros lugares do mundo o que causa muita confusão nos recém-chegados. 

O primeiro passo é achar seu médico. Esse processo pode ser longo e difícil, pois há menos médicos do que o que seria necessário… 
Bom, na verdade há muitos médicos aqui, mas boa parte deles está dirigindo taxis, coisa que já é piada tão antiga que virou um filme de bollywood… 



Achamos o nosso por indicação de um amigo. O médico dele era um moço mais novo e estava aceitando pacientes. A lista de médicos é grande, mas é difícil achar algum que esteja aberto a novos pacientes, ou que seja do sexo feminino, que seja perto da sua casa ou trabalho ou que fale sua língua. O nosso é homem e canadense, não fala uma palavra em português e fica do outro lado da cidade. A clínica lá é bem bonita, moderna e bem aparelhada. Ouvi falar que nem todas são assim. Tivemos que esperar uns 2 meses entre marcar a primeira consulta e efectivamente ver o médico pela primeira vez, mas depois disso conseguimos marcar consultas com uma semana de antecedência. 



Quando, finalmente, você conseguir um médico familiar, é marcada uma primeira consulta na qual ele irá avaliar você em um physical: eles tiram sua pressão, fazem diversos testes de sangue, urina, auscultam o coração, observam se você tem problemas de pele, faz o exame ginecológico (em caso de médico homem uma enfermeira deve estar presente), fazem exames nas partes masculinas também, próstata, enfim… te avaliam por inteiro. Esse exame você tem direito a fazer um por ano e é incluído no OHIP (Ontario Health Insurance Program). Se você não se sentir confortável para fazer o exame ginecológico com seu médico de família, ele pode te recomendar um ginecologista.

Depois disso todos os problemas de saúde que você tiver devem passar primeiramente por esse ser humano. Tudo (ou tudo que não for emergência e que for coberto pelo plano). Dor de cabeça, pé inchado, pinta com cara de câncer de pele. É ele quem vai fazer a primeira avaliação e, caso ache necessário, irá te encaminhar para o especialista.
O que, muitas vezes, pode ser frustrante.

D. Mari por exemplo, estava com uma pinta crescendo no ombro e, após 3 consultas com o médico ameaçou de processá-lo para conseguir ver uma especialista que confirmou: tinha que tirar. Eu tive uma dor horrível no pé ano passado e passei 4 meses aguardando por um especialista. Ele me indicava para um… e o médico demorava 2 semanas para responder que estava sem horário, daí ele me indicava para outro, e outro… Um dia fui lá e fiz um escândalo. Finalmente consegui a tal consulta. Nesse meio tempo meu pé piorou muito. 

Eu estou falando isso, mas acredite, eu gosto do meu médico. Eu gosto principalmente de uma das atendestes do meu médico que é uma jamaicana muito divertida. Mas se você quiser saber opiniões sobre os médicos antes de ir a uma consulta, você pode dar uma olhada aqui. 
Há inclusive uma lista dos melhores médicos de Toronto feita pela Toronto Life.  São médicos de diversas especialidades.

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Minha experiência pessoal com um especialista…


Então, demorei 4 meses para achar um especialista que me aceitasse.
Obviamente depois de ter esperado os primeiros 3 meses, eu apareci chorando em uma clínica particular. Lá fui atendida por uma quiroprata fofinha, que me deu desconto e me diagnosticou com fascine plantar. Ela me passou exercícios e passei 3 meses indo la 2 vezes por semana o que me fez ser capaz de ficar em pé de novo e andar pela rua (eu tava andando só de bicicleta. Daqui pra esquina, de casa pro trabalho a duas quadras daqui… se eu pudesse iria de bike da cama pro banheiro). 

Caribe mexicano. Ao fundo, ruínas Maias.
A história do meu pé doendo começou em dezembro de 2012, nos primeiros 3 dias de uma viagem que fizemos de 3 meses pela America Central e para o carnaval no Rio de Janeiro. 
Nós estávamos em Tulum, no Caribe mexicano, em um hostel onde ocupávamos um beliche, eu no andar de cima. Acordei, fui descer a escada de frente e, obviamente, escorreguei, caí, bati o pé no chão e senti uma dor tenebrosa. Fui orientada pela gerente do hostel a não procurar o serviço de saúde mexicano pois era muito ruim naquela cidade e ela me deu o endereço de um quiroprata. Fui atendida por ele que me apertou um monte e disse que eu tinha apenas distendido um tendão, que deveria passar o dia fazendo compressa de gelo, com o pé pra cima e, lentamente, voltar às minhas atividades normais. Que após uns 20 dias eu não sentiria mais dor. 
Dito e feito. Nos meus últimos dias no Rio, porém, comecei a sentir dor novamente. Procurei Mãe Priscila do Quintalzinho (nossa fisioterapeuta/acumputurista amiga que parece vidente pois sempre sabe o que está acontecendo com vc só de olhar na sua língua) que disse acreditar que o quiroprata estava certo. Me pediu confirmar com uma chapa de raio-x que, como eu já estava de partida, deixei para fazer no Canadá. 
Cheguei em casa, fui ao médico de família, ele me apertou, pediu uma chapa do pé. Eu fiz. Viram que havia uma fratura. Ele então começou a me encaminhar para os especialistas.  

Quando finalmente consegui um médico, era um cara todo bem renomado do St. Michaels Hospital, um cirurgião fodaço. Li sobre ele no Rate MDs e parecia que, finalmente, alguém ia tratar de mim. 

Saí correndo do trabalho, na hora do almoço, e sentei lá na fila de espera… por 3 horas. Me chamaram para tirar mais uma chapa do pé e em seguida fui levada para uma sala. Nessa sala haviam 3 macas separadas por cortinas. Esperei um pouco lá, veio uma enfermeira, mandou eu tirar a meia, veio um moço que eu não sei quem é e me perguntou do meu histórico, olhou o raio-x e fez alguns exames. Dez minutos depois veio o tal especialista. Conversou com os dois outros, olhou minha chapa do pé e disse: "Você está com uma fratura muito estranha para alguém da sua idade. Sou osso foi esmagado. Isso pode significar que vc está com perda óssea, pode ser que esteja com osteoporose. Além disso está com fascine plantar. Vai precisar fazer fisioterapia, comprar uma palmilha para esse pé chato (me deu uma prescrição) e ver um médico especializado em ossos".
Essa consulta com ele, se durou 5 minutos, foi muito.

Depois veio uma fisioterapeuta. A primeira pergunta que ela me fez foi: você tem plano de saúde? Quando eu disse que não ela trouxe uma folha com alguns alongamentos e mandou fazer uma série insana deles todos os dias. Insana significa que ela queria que eu fizesse 2 horas de alongamentos por dia. Me deu também um envelope com o numero para marcar minha consulta com o especialista em ossos. Eles mesmos me encaminhariam por dentro do hospital, mas caso eu não recebesse um telefonema em até 2 semanas, deveria ligar para marcar com a enfermeira responsável. Dentro do envelope várias informações sobre osteoporose, tratamentos, formulários e fotos "positivas" de velhinhos quebrados e sorridentes. Saí de lá, cruzei a rua e fui numa clínica particular de pés. Lá marquei uma consulta com o doutor que faria minha palmilha específica para o meu pé, seguindo a receita dada pelo médico. A conta? 60 pela consulta + 500 pela palmilha. Se eu tivesse plano, tudo estaria coberto.
ninguém merece receber esse envelope do alto dos seus 30 e poucos anos
Nem preciso dizer que não saí exactamente feliz ou positiva dessa consulta. Fui chorando até minha bicicleta e cheguei de olhos inchados no trabalho. Inventei uma desculpa e fui embora. Chateada. Chorei muito aquela noite. 

No dia seguinte fui ver minha quiroprata e ela discordou dos exercícios. Disse que era coisa demais e feito apenas para me deixar estressada. Ela aproveitou um ou dois daqueles exercícios e me mandou fazer por muito menos tempo. Também não concordou com a palmilha, mas disse que mal não haveria de fazer. Na época eu estava usando uma palmilha comprada no mercado que ela havia me indicado e que já estava fazendo efeito. resolvi fazer a palmilha cara assim mesmo e falei com meu pai que me deu de presente (certas coisas a gente pede de presente pra pai. Mesmo com mais de 3 décadas na cara). 
Fui na consulta com o tal médico que ia fazer o molde pra palmilha. Ele fez os mesmos exame que todo mundo e perguntas e falou mal dos meus médicos, fez o molde e tentou me vender uns tratamentos supersônicos. Na saída da consulta, já depois de ter pago, me arrependi muito. Achei o médico babacão. Mas já estava feito.


A tal enfermeira que deveria marcar minha consulta nunca me ligou. Eu liguei 2, 3, 5 vezes e, todas as vezes, me diziam que ela não estava naquele dia. Até que me enfureci e fui diretamente ao St Michael. Não era possível que eu pudesse contar com uma única enfermeira para marcar minha consulta. Eu recusava saber: tenho ou não osteoporose?! Chegando no hospital me dizem que é isso mesmo, ela é a única responsável pelo sector e que teria que esperar ela voltar de licença pois estava doente.




Depois de fazer exames em Copa, minha mãe
me acompanhava em passeios pela praia também.
Eu comecei a ficar realmente nervosa e acabei marcando uma passagem para o Brasil. Decidi na segunda que iria na sexta, quando acabava meu contrato. Comprei a passagem, liguei pra minha mãe e pedi para ela marcar tudo quanto é tipo de médico, mandei email pra Priscila, marquei o taxi. Na sexta, saí do trampo, vim em casa buscar a mala e de lá pro Rio. Chegando lá o médico da minha avó me atendeu, marcou mil exames para os quais minha mãe me levou. Em 4 dias eu já tinha feito todos os exames possíveis e imagináveis. 


consulta na frente do restaurante
Fomos encontrar o médico na Barra da Tijuca, pois ele não tinha mais horários e eu tinha que voltar ao Canada. Encontramos com ele e um outro médico que olharam minha ressonância, minha densidade óssea, meus raios-x e disseram: "Bárbara, não só tudo parece normal e seus níveis ósseos estão ótimos, como aparentemente você nunca quebrou nada. Seus ossos estão íntegros e não há nem mesmo qualquer cicatriz".

Pois é amiguinhos e amiguinhas… Eu nunca quebrei nada. Meus ossos são ótimos. 


Comemoramos a boa noticia com um mergulhinho em Ipanema

Maldito médico.

Voltei ao Canadá e, pisando aqui, no dia seguinte, me liga a tal enfermeira para marcar o exame de densidade óssea e minha consulta com a especialista. Resolvi ir pra ver como seria. Fiz o mesmíssimo exame que havia feito no Brasil, a densitometria, só que em um aparelho mais moderno. A médica me fez um monte de perguntas e mais alguns exames. Eu havia levado minha ressonância magnética (mas não a densitometria, claro) e ela entrou no google e traduziu o laudo. Gostei dela. Super aplicada, gentil etc. Depois de muito olhar meus raios-x ela disse: "Olha eu não sei o que esse médico viu. Não há fartura alguma aqui, seus ossos estão ótimos. Eu sinto muito que você tenha ficado assustada. O que você teve foi algum trauma que não foi cuidado até o fim, provavelmente você rompeu um ligamento, como te disseram no México, e esse trauma resultou numa fascite plantar. Continue usando a palmilha, indo na quiroprata e fazendo Tai Chi que você vai ficar boa logo logo".

Fiz isso. 
Tô boa.

Mas posso dizer que minha primeira experiência com um médico especialista aqui me fudeu financeiramente.
Pelo menos pude curtir o aniversário no Rio, cercada de amigos, curtir minha mãe. Isso foi em novembro de 2013, sendo que o problema começou em dezembro de 2012. Foda!


14/04/2014

O tão falado Sistema de Saúde Canadense

Uma introdução


Eu tenho uma lista de coisas que eu gostaria de escrever para este blog e nunca escrevo. Não é exactamente uma lista divertida, mas uma lista de coisas que podem ajudar quem esteja por aqui ou esteja pensando em vir morar nessas terras.
Sistema de Saúde, taxas federais, ajuda financeira (um bolsa família daqui que eu usei e foi de suma importância pra minha vida), mudança na lei de imigração e achando trabalho em Toronto, entre outras coisas, são assuntos que quero, eventualmente, tratar aqui.

Bom, vamos ao ponto.

O Sistema de Saúde Canadense, embora público, é bem diferente do SUS brasileiro. A primeira diferença é que embora exista o Canadian Medicare, o sistema de saúde é varia de província para província. 

Essa diferença engloba como ele é financiado, gerido e o que está incluído no seguro de saúde. De comum entre os seguros de saúde públicos das províncias há: 
- a administração deve ser pública
- deve ter larga abrangência de cobertura
-  universalidade
- acessibilidade (um conceito muito amplo que não entendo bem)

Além do sistema público, há também o privado, que cobre o que fica faltando no outro sistema. Não se preocupe: aqui não é os EUA e ninguém vai deixar de te tratar de um linfoma porque você não tem 200 mil pra pagar, nem você não vai ter que fabricar heroína num trailler no meio do deserto porque não tem dinheiro para pagar seu tratamento. Mas muitas coisas não são cobertas, ou não são cobertas em uma provência, mas são em outra. 

Exemplos de especialidades não cobertas em ontário são:

dentista
oftamologista
fisioterapeuta
quiroprata
psicologo 
acuputurista
fertilização in-vitro
transporte de ambulância quando não é totalmente essencial 
entre outras coisas.


Há excessões. Normalmente crianças e idosos tem cobertura diferenciada. O mesmo ocorre com famílias de baixa renda, mas, como é de se esperar, o atendimento particular é bem melhor que o público.

Pois é, temos um sistema de saúde particular. Eu imagino que para alguns isso soe estranho (pois todo mundo SABE que por aqui a saúde é pública) e para outros seja o mínimo esperado (a galera que pergunta: e se eu quiser pagar por um atendimento melhor?), mas o sistema de saúde particular aqui é bem diferente do que conhecemos no Brasil ou o que ouvimos falar nos EUA.

Ele cobre o que o seguro provincial não cobre. As coisas descritas acima, remédios, atendimento em casa, you name it. Esses seguros podem ser pagos por você ou pela empresa que te contrata (o famoso emprego com benefícios). Quando você vai à clinica de sua escolha ou compra o remédio da prescrição, apresenta o cartão do seguro e pimpa! tá pago.

Mais que isso eu não sei. Aqui só tenho o seguro da província e nada mais.
Tudo o que faço por fora eu pago do bolso. Ano passado gastei uma fortuna em quiroprata. Fazer o que? É a vida.

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E quem está coberto?

Bom, a ideia é que residentes da província estejam cobertos. Para ser considerado residente elegível, pelo menos aqui em Ontário, você deve estar legalmente na província há pelo menos 3 meses antes de pedir seu cartão de saúde. Isso significa que você está pagando os impostos provinciais que financiam o sistema de saúde pública.

Há regras sobre saídas da provincia e do país por longos períodos e é possível perder a cobertura. Mas eu imagino que, voltando e, depois de 3 meses, seja possível recuperá-la.

Quanto aos ilegais eu não sei como funciona. Ano passado passou uma lei que protege ilegais, trabalhadores migrantes e pessoas de passagem e que está causando fúria nos conservadores (os comentários abaixo das notícias sobre o assunto costumam ser pra lá de xenófobas… lembra um pouco os tenebrosos comentários do G1).

E mesmo havendo lei que garanta acesso a serviços essenciais a todos, muitas agências perguntam sobre o status do imigrante e, muitos deles, reportam o mesmo para a polícia e para a imigração. Por isso muita gente tem medo de pedir ajuda (das mais diversas ajudas que você possa imaginar).

Eu achei um site bem bacana que fala sobre o Sistema de Saúde de British Columbia, pelos olhos de quem acabou de chegar. Se você está indo para lá, dá uma olhada.

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No próximo post vou falar de como é navegar pelo sistema de saúde daqui que pode ser bem confuso para quem está chegando.

29/03/2014

Tapioca

Uma das coisas que mais "pega" a gente quando moramos fora é a comida. No começo é legal, tudo novo, comida do mundo inteiro, aquela coisa. Mas logo começamos a sentir falta da nossa boa cozinha brasileira.

Uma das minhas grandes paixões é tapioca. No Rio, todo sábado, eu ia pra feirinha e comia uma de queijo com côco, delicinha. Depois da praia a de queijo com salame! Ou so na manteiguinha mesmo. 

Pra mim é muito difícil viver sem tapioca e eu pedia pros amigos trazerem na mala, quando vinham de visitas.

Pois bem, descobri que é possível comer tapioca em Toronto!

No Kensington Market, em uma daquelas lojas de produtos latinos, achei farinha de tapioca, que, infelizmente, não se parece nem um pouco com a goma de tapioca que a gente costuma comprar na feira ou mercado. É uma farinha MUITO fininha, mas dá pra transformar em tapioca sim!

Essa receita eu ganhei da amiga Ana Cristina e divido com vocês:

Você precisa da farinha, dois potes, água, um garfo e uma peneira boa pra preparar a farinha.






Coloca a farinha num pote e derrama água no meio.




Logo a farinha começa a empedrar. Continua misturando até ficar pedra mesmo.




Depois vai quebrando essa pedra com o garfo.




Peneira a mistura. Precisa usar a munheca um pouco.




A farinha fica mais grossa, obviamente.




Esquenta a frigideira e coloca a farinha lá. Eu prefiro fazer beem fininha, pois embora a massa fique boa, nao é tão gostosa quanto a goma de tapioca.

É importante virar a tapioca para cozinhar os dois lados antes de colocar o recheio.





Coloca o recheio. Essa eu fiz de lanche, mas descobri que é gostoso comer tapioca com qualquer coisa dentro. Outro dia fiz com frango ao curry e cogumelos e ficou uma delícia.








Prontinho!




29/04/2013

ACHIEVEMENT! Limpando as janelas de casa


Ok, você está pensando, como é que alguém se dispõe a escrever um post sobre limpeza de janelas? Bom, a verdade é que pra mim e pra muita gente as janelas sujas das casas são um BIG DEAL e dão muita vergonha. Desde que cheguei nesta nova casa comecei a imaginar como limpar as janelas. Esta semana descobri que as janelas pequenas dos quartos saem na mão, desencaixam simplesmente, e comecei a tirar uma por uma para limpar. Embora eu não consiga fazer o mesmo com as janelas de cima, só o fato de começar a entender como limpar as janelas me deixou imensamente feliz.

Pois que anteontem descobri como limpar as janelas da sala!

A minha sala tem uma das paredes coberta por janelas de lado a lado.  E elas não eram sujas, eram imundas! I-MUN-DAS! Passei meses tentando descobrir como fazer para limpa-las uma vez que elas, obviamente, não desencaixavam na mão como as outras.

Desencaixando janelas - tinha que ter um jeito de limpar!
Descobri que elas têm um sistema em que a parte debaixo da janela desencaixa em cima e abre, como uma alavanca. Então é só lavar dentro e fora, facilmente. Desencaixando a tela anti-insetos (anti-insetos-grandes, porque os pequenos, como mosquitos, fazem a festa) e com um não-sei-como-se-chama-mas-é-muito-útil  com um pano ensaboado preso na ponta alcancei o lado de fora.

Felicidade ao descobrir
A cada janela que eu limpava saia uma água preta... Pensei na minha mãe. Quando éramos crianças (e adolescentes) e ela lavava nossas roupas, sempre dizia: “vocês não iam acreditar como a sujeira deixou a água preta!” Ela tinha um prazer estranho em dizer "água preta". Fazia uma cara de psicopata e ficava repetindo: AGUA PRETAAAA. Eu acho que entendi esse prazer ontem, depois de 4 baldes de água nojenta da poeira de séculos que tirei das janelas.

Agua limpa
Agua PRETA






Antes e depois
Infelizmente o meu não-sei-como-se-chama-mas-é-muito-útil acabou desencaixando do cabo e caiu lá embaixo. Tentei muito resgatá-lo, mas não consegui. E a última tela da última janela também não desencaixou, então o serviço ficou semi-completo, mas o orgulho está lá em cima, de qualquer forma.

Não sei como se chama mas é muito útil lá embaixo, inalcançável... :(

Contei pra amiga Lia que não acreditou no meu sucesso e morreu de inveja. Acho que não sou só eu que morro de vergonha por ter que olhar através de janelas NO-JEN-TAS.

Próximo alvo
Qualquer hora dessas ataco as do escritório. Arght!

12/04/2013

Mudança: parte 2 – saindo do apartamento antigo


Eu dentro do caminhão de mudanças


Eu fiquei de escrever mais sobre mudança, mas acabei soterrada por coisas a fazer e nunca escrevi.
A verdade é que me deu preguiça. Mas essencialmente o que eu queria dizer é que aqui normalmente quem faz a mudança é você. Tipo: você contrata um caminhão, encaixota tudo, busca o caminhão, enche o caminhão e dirige até a nova casa, descarrega tudo e devolve o caminhão.
Fácil? Nem um pouco. O bom é que tivemos alguns amigos para ajudar a fazer tudo isso. Eu nem pensar em dirigir um caminhão. NEM PEN_SAR. Medo total. Mas, inacreditavelmente, você só precisa de uma carteira comum de motorista para fazer isso.

Outra coisa que foi um saco na nossa mudança: a nossa querida LandLady from hell atazanou a nossa vida até DEPOIS do fim da nossa relação. Como?

Primeiro: aqui tem uma coisa chamada data da mudança que é o di que você sai de uma casa e entra na outra. Para mim, esse processo permanece um mistério porque, oficialmente, você saída sua casa atual no último dia do mês e entra na casa nova no primeiro dia do outro mês. E eu sempre fiquei me perguntando: como assim? Você tem que se mudar à meia noite? Ou será que as pessoas dormem no caminhão de um dia para o outro?
Depois de muito perguntar por aí entendi que você combina com o atual landlord e o novo quando você sai e quando você entra. Normalmente as pessoas saem no dia 1o mesmo, de manhã, enquanto a nova entra a tarde... Se tiver alguém mudando para a mesma casa que você está deixando é uma questão de combinar horários. Se a casa nova estiver vaga antes, vc pode mudar antes... bom, são muitas as possibilidade e tudo se resolve no dialogo.
Tentamos dialogar com nossa landlady from hell, mas ela inventou (inventou mesmo) que alguém ia se mudar no dia 1o de manhã. Que tínhamos que sair no dia anterior. Só que a gente não conseguia nem caminhão nem amigos para a judar no dia anterior... é que todo mundo se muda na mesma data então é difícil de reservar tudo. Batemos muita boca com ela até ela aceitar que nós só conseguiríamos sair no fim da manhã. Obviamente que depois descobrimos que não tinha ninguém para entrar. Ainda mais porque, durante nossa estada, ela não mostrou o apartamento para ninguém, então, como eh que alguém ia se comprometer em alugar um apartamento em ver? Pois é.

Segundo: a inspeção. O landlord tem que fazer uma inspeção de saída para ver se vc causou algum dano ao imóvel que tenha que ser pago. Nos estávamos empacotando coisas a uma semana e ela nunca ia lá em casa fazer a tal da inspeção. Marcamos finalmente um horário na sexta-feira, um dia antes da mudança. Ela apareceu lá em casa rapidamente, deu uma bisoiada e saiu dizendo, apenas, que nós tínhamos que limpar o apartamento (já estava limpo) e fechar os buracos na parede. Perguntamos  se ela queria que levássemos a mesa de jantar que ela nos havia emprestado de volta para a garagem, ela disse que não precisava. OK. Eu saí correndo e comprei massa, voltei pra casa, fechei os buracos e continuei a empacotar.


No dia seguinte chegam nossos amigos, busco o caminhão com um deles, começamos a mudança e, quando o caminhão já estava praticamente cheio D. Mari resolve subir até o apto dela para devolver a chave. Eu disse: Não vai não, joga a chave na caixa do correio e a gente vai embora sem mais estresse. Mas D.Mari não queria que ficasse parecendo que nós estávamos fugindo da velha e subiu lá. Pra quê? Desce a velha com um “sobrinho” forte com cara de guarda-costas. Entra na casa que estava brilhando de limpa (graças aos amiguinhos que, antes de sairmos, ainda deram uma última força na faxina. Eles entram e ela diz: “UAU”. Tipo: ta brilhando. Anda até a sala e fala: “vocês não devolveram a mesa para a garagem” D.Mari: claro que não, você disse que não precisava”. A mulher então perde as estribeiras e começa a gritar com mariana que ela foi incrível de emprestar a mesa e que nos somos duas mal educadas e que o “novo inquilino” não tem que tirar a mesa e que é nosso dever e o escambau. Eu tava no caminhão, guardando as últimas coisas, quando volto e vejo a mulher gritando e o sobrinho-segurança, do lado.

Eu chego e falo pra ela que ela é doida, mas que tudo bem, a gente desmonta a merda da mesa e leva. Peguei as ferramentas e, em 5 minutos, estava resolvido. Nisso a Velha entra na cozinha e fala: O plástico da porta do microondas está com bolhas. Eu: como assim? Ela: Esse plástico da porta do microondas não tinha bolhas quando eu aluguei o apartamento para vocês. Eu disse: sim, ele tinha bolhas. Ela: não tinha. Eu: tinha. Ela: não tinha e vocês vão ter que me dar uma porta nova para esse microondas. Aí eu é que perdi as estribeiras. E dei meus berros. Vocie está maluca? Esse microondas está perfeito, limpo e funcionando igualzinho como quando nós alugamos o apartamento e, alem do mais, a inspeção foi feita ontem, por você. Não vamos te dar nenhum dinheiro a mais. Ela: Mas eu não vi o microondas ontem. Eu: problema seu! E fomos, batendo a porta.

UFA!

Daí você pensa que acabou, NE?
Não. Não acaba assim tão fácil.

A mulher nos escreve duas semanas depois. E o que ela diz? Começa dizendo que somos pessoas ótimas apesar do estresse da mudança. Que quer nosso endereço novo para enviar correspondências que cheguem para ela (hu-hum) e que ela olhou mais para o microondas e que na verdade nós quebramos a janela de vidro do microondas que era novinho e que na verdade ela vai mesmo ter que comprar outra janela de vidro e que a janela de vidro custa 182 dólares, mais impostos, mais outros 100 pela Mao de obra e que ao somos pessoas boas e que ela acha que, por isso, nós vamos pagar.

Ficamos TÃO putas com o email que nem sei o que dizer. Conversei com uma amiga, que também é landlady e aluga um apartamento na mesma situação (debaixo da casa dela) e ela me orientou. Disse que se não foi visto na inspeção não pode ser cobrado e que o que ela tava fazendo poderia ser visto como harassment e que nós poderíamos entrar na justiça contra ela.

Na mesma hora eu e D.Mari escrevemos um email DESSE tamanho para ela dizendo, entre outras coisas, que se alguém devia dinheiro para alguém, essa pessoa era ela, pois nós tínhamos dividido as custas de aquecer nossa casa no inverno o que era ilegal. E que ela fosse cuidar da própria vida, que não íamos pagar nada mesmo porque nós não tínhamos quebrado nada e que com 200 dólares ela podia comprar um microondas novo de ultima geração em qualquer loja e que, por ultimo, se ela mandasse mais qualquer email para nós nós iríamos considerar harassment e procurar a justiça.

Depois disso ela, finalmente, nos deixou em paz.
UFA!

23/11/2012

Mudança - parte 01: PROCURANDO APARTAMENTO


Acabei não falando da mudança aqui no bloguinho, mas acho que é válido contar, pois tenho algumas dicas a respeito que poderiam ter me ajudado quando estava procurando apartamento, na saída do apartamento antigo e no transporte dos pertences. Então vou dividir aqui.

Parece fácil, mas é difícil.
Procurar um apartmento é um full time job. No começo é divertido, has depois de uma, duas, três semanas, você para de querer achar um lugar bacana para morar e passa a querer achar QUALQUER lugar ok para morar.



Planilha de planejamento de visitas a apartamentos


A rotina de quem procura casa é mais ou menos assim: Acorda e todos os dias checa os anúncios dos principais sites.

craigslist.ca, Kijiji.ca, viewit.ca, padmapper.com, myhood.ca




Se gostar de alguma coisa, manda email o mais rapidamente possivel e com um texto bacaninha, para que eles gostem de você logo de cara.
Se tiver telefone, liga imediatamente e tenta marcar visita.

Outro método é andar pelas ruas procurando placas de aluga-se e do Viewit, que é super comum por aqui.

Os landlords normalmente marcam um dia específico no qual eles estarão mostrando os apartamentos de uma vez para todos os interessados. Então é normal que você entre em uma casa e lá tenha outras 30 pessoas olhando. As visitas são feitas normalmente em apartamentos ainda habitados, então você tem que imaginar como é aquele espaço vazio. Depois de ver o apartamento você recebe um formulário para preencher com seus dados e entregar para a pessoa que está mostrando o apartamento.

Como são muitas as pessoas que vêem o apartamento ao mesmo tempo, fomos aos poucos desenvolvendo métodos de sermos lembradas e chamar a atenção.
1 - Chegar o mais cedo possível, a pessoa ainda está descansada e sabe quem você é. Com o passar das horas o tumulto acontece e fica mais difícil ser lembrado;
2 - Tenha a mão todos os documentos: identidade, credit history, comprovante de trabalho, SIN number;
3 -  É sempre bom ter uma lista de nomes e telefones de pessoas que podem falar bem de você. Pode ser amigos e familiares, mas o melhor são antigos landlords e chefes;
4 - Se possivel tenha cartas de gente do trabalho ou do seu landlord dizendo que você é bacana, paga tudo em dia, é confiável, essas coisas;
5 - Faça uma cartinha pessoal para seu possível futuro landlord. Diga para ele as razões pelas quais ele deve te escolher. Uma amiga aqui de Toronto me deu essa dica e dá pra ver na cara deles que eles ficam felizes em receber isso. Na nossa carta tinha uma apresentação fofa, falava de como não fumamos, não temos animais de estimação, que gostamos de plantas e não temos problemas em ajudar a tirar o lixo, por exemplo. Como pagamos tudo sempre em dia e, se possível, antes mesmo da data. De como seriamos as melhores pessoas para morar lá. Besteira? É. Mas ajuda. Dá aquele "plus a mais".

Atenção: Há uma estratégia escrota que rola aqui com a qual não concordamos que é oferecer mais dinheiro do que está sendo pedido. Muita gente faz isso e imagino que funcione.

Condomínios de muitos apartamentos podem ser mais fáceis de alugar. Pelo menos se você tiver com os seus documentos em dia. Mas atenção redobrada: boa parte deles está infestada de pragas.
A dica, que já dei antes, é sempre verificar o endereço de qualquer lugar no http://bedbugregistry.com/
Embora o nome sugira um registro de BedBug (percevejo) apenas, ele dá outro tipo de dicas: ratos, baratas e moradores esquisitos.
Há prédios de apartamentos aqui onde tudo é lindo e maravilhoso e outros onde o cara que pede um trocado na esquina para fumar crack será seu vizinho de porta. Por isso, é sempre bom pesquisar o histórico do prédio.




Outra boa ideia é checar o endereço no WalkScore.com onde você pode ver as amenidades próximas ao endereço, como parques, pontos de ônibus, lavanderias, escolas, livrarias, cinemas... ou seja, dá pra saber se é ou não bem localizado ou no fim do mundo. Para você ter uma ideia, o Walk Score do nosso apartamento antigo era 55, o nosso novo é 90 - um paraiso para pessoas caminhantes.





Eu e D.Mari não tivemos sorte.
As casa que vimos eram ou horríveis, ou caras, ou com zilhões de pessoas querendo. Nosso nome nunca era o escolhido.
Perdemos um apartamento porque a data de mudança era um mês antes da nossa data de saída (muita gente não se importa e se muda mesmo tendo que pagar dois alugueis - o que importa é arrumar um lugar), outro porque o dono era croata e todos os concorrentes eram croatas também, outro porque o dono do apartamento ficou indeciso entre nós e outras pessoas e marcou de irmos na casa dele, num domingo as 10pm, para preencher uma ficha, conhecer o filho dele e duas outra inquilinas que iriam ajuda-lo a decidir quem era melhor para viver naquela comunidade. Entre as perguntas do formulário estavam o que costumamos ver a internet e se iríamos usar o jardim, como e quanto. Tipo em horas por semana. Nem preciso dizer que dessa vez fomos nós que saímos correndo.
E os prédios… bom, os que podíamos pagar eram prédios antigos que tinham histórias de horror no BedBugRegistry, então nem fomos visitar.





Rodávamos as ruas um dia, de bicicleta, procurando por anúncios do lado de fora quando vi uns construtores portugueses trabalhando num telhado. Resolvi parar a bike e perguntei: "os senhores sabem de algum apartamento para alugar nas redondezas?" Um deles veio conversar comigo e eu expliquei que estava difícil. Eu já tinha ouvido falar que o jeito mais fácil de procurar é falando com portugueses, pois sempre sabem de quem esteja precisando de inquilinos,  então resolvi arriscar. O moço me falou para procurar os classificados de um jornal chamado "família portuguesa". Que lá sempre tinha anúncio.

Bom, dois dias depois conseguimos um exemplar em uma loja de produtos portugueses e lá havia tipo 4 anúncios de casa.
Uma muito longe.
Uma muito cara.
Um basement.
Um apartamento de três quartos, com tudo incluído, em downtown, por um preço inacreditável. Ligamos.

A moça que nos atendeu disse que infelizmente ia mostrar o apartamento naquele mesmo dia. Mas que se as pessoas nao gostassem do apartamento ela me ligaria de volta.
Duas horas depois me ligou, revoltada: pela 3a vez ela marcava de mostrar e ninguém aparecia nem ligava para avisar que não iria.
Eu disse a ela: posso ir amanhã mesmo, posso levar meu talão de cheques e quaisquer documentos que a senhora precisar. Eu juro que não irei furar. Posso inclusive telefonar para a senhora antes de sair, assim terá a certeza de que não vou desaparecer.


Eu e D.Suzana, vulgo mamãe, na frente de casa

Marcamos e no dia seguinte viemos ver nosso apartamento.
Eu e Mari estávamos já esgotadas de procurar e combinamos: se for ok, pegamos. Se for problemático e tiver solução, pegamos também. Só não pegamos se for uma merda ou se for deprimente.
Chegamos 15 minutos adiantadas, todas arrumadas e cheias de documentos em mãos. Tina nos encontrou na porta. Ficou visivelmente feliz de ver que não furamos.
A entrada do apartamento é meio assustadora: no primeiro andar há um típico "altar português" com fotos de familia e imagens de santos que dá nos nervos, mas subindo as escadas nossos olhos brilharam: o apartamento era lindo! Precisando de ajuste e cheio de coisinhas um pouco estranhas (tipo ele é completamente desnivelado) mas uma gracinha. Na mesma hora dissemos que queríamos. Ela marcou um outro dia para conhecermos o irmão dela, que é a figura responsável por cuidar da casa e fechar o contrato. E garantiu: a casa é vossa.


Vista da minha cama, no outono

QUERIAMOS MORRER DE FELICIDADE!!!

Alguns dias depois, contrato fechado e, desde que nos mudamos em setembro, estamos cada vez mais felizes com a nova casa.
Pena que, em breve, vamos ficar sem ela por alguns meses.
Mas é por uma boa causa: estamos de viagem marcada para a  América Central e Brasil.
Serão três meses de férias do Canadá. Merecidas férias, que essa vida de imigrante é dura.

Depois falo do caminhão de mudança.